terça-feira, 20 de julho de 2010
"Pelo chão, abaixo dele, se rojam reis cativos, sem pés nem mãos, aos quais ele atira ossos para roerem; mais além, estão os seus irmãos, de olhos vendados, todos cegos. (...) Gladiadores trazem leões. Dançarinas, com o cabelo preso em redes, rodopiam sobre as mãos, soltando fogo pelas narinas; saltimbancos negros fazem malabarismos, crianças nuas se atiram bolas de neve, que se desfazem no brilho da baixela. O clamor é tão forte que parece uma tempestade, e uma nuvem flutua sobre o festim, tantas são as comidas e os vapores. De vez em quando, uma fagulha dos grandes tocheiros, levada pelo vento, atravessa a noite como uma estrela cadente. O rei limpa com o braço os perfumes do rosto. Come nos vasos sagrados e os quebra depois. Enumera, de memória, suas frotas, seus exércitos, seus povos. Logo mais, por capricho, incendiará o palácio com seus convivas."

0 comentários:
Postar um comentário